Histórias: O vizinho do taco

Em 2008, decidi mudar tudo e fui morar fora do Brasil.  Londres foi meu primeiro destino. Chegando lá, morei num conjunto de prédios populares que a Rainha construiu para os menos favorecidos (algo próximo ao Cingapura que o Maluf fez em SP, mas bem mais seguro e organizado).

Estava sentindo o aperto de 8 brasileiros num apto minúsculo, mas vivendo a alegria e a realização de quem havia cruzado a imigração inglesa e começava a realizar um sonho. Mas tudo isso junto é igual a muito barulho, e num lugar como aquele condomínio no bairro de Bermondsey, poderia significar encrenca, e no nosso caso, das pesadas. Bem abaixo do nosso apartamento morava um inglês hooligan, daqueles com cicatrizes na cara e tatoo de cadeia pelo corpo.

É, com ele não havia “política da boa vizinhança”. Era taco de baseball na mão e uma fúria avassaladora contra os brasileiros – com razão até, porque nosso apartamento era da agência de viagem, ou seja, havia anos que chegavam todas as semanas uma trupe de estudantes bagunceiros.

Por sorte e muita dedicação daqueles que arranhavam o idioma local, conseguimos todas as dezenas de vezes convencê-lo de que a bagunça não voltaria a se repetir. Em vão, já que o barulho do taco batendo na porta e a silhueta do hooligan no vidro nos apavorava quase que todas as noites.

Com os dias, conseguimos nos controlar. Mas o problema chegava toda nova segunda-feira. E ele chegava multiplicado por 3 ou 5. Eram nossos novos flatmates. E como conter toda aquela histeria inicial da vida em Londres? Era difícil.

Foi no fim de uma noite regada a pint que eu me encontrei sentado na mesa da cozinha/sala/área de serviço pensando: estou indo embora deste apartamento e nossos novos moradores desavisados vão ter que enfrentar nosso gentil vizinho. Como evitar isso?

Então olhei para a mesa e encontrei muitos e muitos folhetos, jornais e revistas que pegavamos na rua. Ótimo, já tinha toda a materia-prima suficiente para fazer um aviso. Já o local de fixação ideal estava bem ali na minha frente: o mais frequentado da casa, a geladeira!

Pronto, material e mídia definidos. Bastou criar o anúncio, com a técnica “recorte e cole”, que resultou na foto aí de cima.

Alguns amigos dizem que até hoje a “obra” está lá na geladeira, dando boas-vindas aos brazucas exaltados que semanalmente chegam naquele apartamento, e que nos minutos seguintes têm o prazer de conhecer o vizinho do taco.

No fim, o que vale é a intenção, da arte!

Os humanos de Antony Gormley

Antony Gormley trabalha há mais de 25 anos a figura humana em esculturas baseadas em vetores, através de investigação do corpo e da memória. Usa o seu próprio corpo como material, tema e ferramenta, desenvolvendo uma preocupação recorrente com a condição humana.

Londrino de 60 anos, trabalha metal em espiral e cubos a que, muitas vezes, dá a forma de uma homem de pé, com as pernas e braços colados ao corpo. O seu trabalho mais conhecido é, provavelmente, o “Angel of the North”(1998), uma escultura que se situa em Gateshead, Inglaterra, e que representa um homem de braços abertos que se assemelham a asas (foto acima).

Imagem de Amostra do You Tube

Gormley foi convidado em 2009 a ocupar o Fourth Plinth (O Quarto Pedestal) na Trafalgar Square (Londres). Desocupado desde o século XIX por falta de fundos, este pedestal é famoso por isso mesmo e é um dos inúmeros ícones da cidade. Neste evento, o artista levou a cabo um projecto de arte pública em que 2400 membros voluntários foram convidados a ocupar o espaço por uma hora, perfazendo a totalidade de 100 dias e levando a cabo as mais inesperadas tarefas enquanto posavam (vídeo acima).

Texto de Diana Guerra.

Slinkachu – Arte aos pés do espectador

É comum intervenções urbanas apresentarem sempre grandes dimensões, exatamente para conseguir chamar a atenção das pessoas no ambiente caótico das metrópoles. No entanto, alguém bastante talentoso rompeu com essa tendência, optando pela sutileza. Trata-se do inglês Slinkachu, um artista urbano ao estilo Bansky: nada de fotos nem nome divulgados.

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Sua obra é toda fundamentada em personagens medindo no máximo 5 milímetros, que são utilizados conforme a necessidade da instalação. Os  pequenos bonecos são deixados discretamente em praças, calçadas, banheiros e outros lugares públicos de Londres, para que possam interagir, criando um universo inusitado onde a arte de Slinkachu se mistura harmoniosamente aos objetos, lixos e insetos desses lugares.

O mais incrível é que após fotografada para o blog do artista, a obra é deixada para trás, sofrendo as consequências do tempo ou de um pedestre desavisado. Mesmo por que, Slinkachu se tornou conhecido e reuniu milhares de fãs pelo mundo justamente por causa do seu blog, que vale muito a pena ser visitado. Já suas instalações não têm a mesma sorte, perdem-se pelo caminho, sendo que na maioria das vezes sequer são notadas.

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Ao ir a Londres, cuidado, você pode pisar numa obra de arte.

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Àqueles que desejam se aprofundar mais sobre o tema, Slinkachu publicou um livro Little people in the city.

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Seria a obra de Slinkachu uma metáfora da nossa própria existência, perdida, descartável, em meio ao imenso caos em que vivemos?

Waleska Nomura. Grafite brazuca no Reino Unido

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O trabalho da brasileira Waleska Nomura é mais uma prova de que a arte não conhece fronteiras. Waleska chegou em Londres com um objetivo comum a muitos brasileiros: estudar inglês e voltar para casa. Logo conheceu o artista inglês Adam Neate, reconhecido mundialmente pela sua “arte de rua”. Mas os primeiros contatos com a arte do grafite foram através do seu irmão, Tinho, que fazia parte de um dos primeiros grupos de grafiteiros de São Paulo. Grupo que contava com os Gemeos, nome do grafite brasileiro respeitado internacionalmente. Em Londres, ela deu continuidade ao trabalho com grafite, expándindo-o para outras cidades européias. Vivendo em Brigthon, onde o Canallondres foi visitá-la, Waleska deu mais um passo importante na carreira, com a sua primeira exposição individual que rolou até outubro, na Brick Lane Gallery, Londres.
Este vídeo é um dos vários apresentados pelos nossos parceiros do Reino Unido: Silvino e Susan, do Canallondres.tv.
Este, dirigido e produzido  por Caroline Ravagnani.
Um blog muito interessante sobre viagens, pessoas, música, lugares. Enfim, se você se interessa pela terra da rainha, é imperdível. Estamos conversando sobre uma parceria de conteúdo para 2010, e para dar uma pista do que teremos, publicamos este post “teaser”. Siga em @canallondres.
Este post mostra o trabalho da brasileira Waleska Nomura, que é mais uma prova de que a arte não conhece fronteiras. Waleska chegou em Londres com um objetivo comum a muitos brasileiros: estudar inglês e voltar para casa. Logo conheceu o artista inglês Adam Neate, reconhecido mundialmente pela sua “arte de rua”. Mas os primeiros contatos com a arte do grafite foram através do seu irmão, Tinho, que fazia parte de um dos primeiros grupos de grafiteiros de São Paulo.
Em Londres, ela deu continuidade ao trabalho com grafite, expándindo-o para outras cidades européias. Vivendo em Brigthon, onde o Canallondres foi visitá-la, Waleska deu mais um passo importante na carreira, com a sua primeira exposição individual que rolou até outubro deste ano, na Brick Lane Gallery, Londres.
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