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	<title>Intervençõeshooligan | Intervenções</title>
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	<description>Coletivo para a Cultura Urbana</description>
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		<title>Histórias: O vizinho do taco</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 22:02:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leandro Ogalha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 2008, decidi mudar tudo e fui morar fora do Brasil.  Londres foi meu primeiro destino. Chegando lá, morei num conjunto de prédios populares que a Rainha construiu para os menos favorecidos (algo próximo ao Cingapura que o Maluf fez em SP, mas bem mais seguro e organizado). Estava sentindo o aperto de 8 brasileiros num apto minúsculo, mas vivendo a alegria e a realização de quem havia cruzado a imigração inglesa e começava a realizar um sonho. Mas tudo isso junto é igual a muito barulho, e num lugar como aquele condomínio no bairro de Bermondsey, poderia significar encrenca, e no nosso caso, das pesadas. Bem abaixo do nosso apartamento morava um inglês hooligan, daqueles com cicatrizes na cara e tatoo de cadeia pelo corpo. É, com ele não havia &#8220;política da boa vizinhança&#8221;. Era taco de baseball na mão e uma fúria avassaladora contra os brasileiros &#8211; com razão até, porque nosso apartamento era da agência de viagem, ou seja, havia anos que chegavam todas as semanas uma trupe de estudantes bagunceiros. Por sorte e muita dedicação daqueles que arranhavam o idioma local, conseguimos todas as dezenas de vezes convencê-lo de que a bagunça não voltaria a se [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://farm4.static.flickr.com/3196/2781071783_91c415639b.jpg" alt="" width="450" height="390" /></p>
<blockquote><p>Em 2008, decidi mudar tudo e fui morar fora do Brasil.  Londres foi meu primeiro destino. Chegando lá, morei num conjunto de prédios populares que a Rainha construiu para os menos favorecidos (algo próximo ao Cingapura que o Maluf fez em SP, mas bem mais seguro e organizado).</p>
<p>Estava sentindo o aperto de <a title="Veja as fotos" href="http://www.flickr.com/photos/trendmap/2781089887/" target="_blank">8 brasileiros</a> num apto minúsculo, mas vivendo a alegria e a realização de quem havia cruzado a imigração inglesa e começava a realizar um sonho. Mas tudo isso junto é igual a muito barulho, e num lugar como aquele condomínio no bairro de Bermondsey, poderia significar encrenca, e no nosso caso, das pesadas. Bem abaixo do nosso apartamento morava um inglês hooligan, daqueles com cicatrizes na cara e tatoo de cadeia pelo corpo.</p>
<p>É, com ele não havia &#8220;política da boa vizinhança&#8221;. Era taco de baseball na mão e uma fúria avassaladora contra os brasileiros &#8211; com razão até, porque nosso apartamento era da agência de viagem, ou seja, havia anos que chegavam todas as semanas uma trupe de estudantes bagunceiros.</p>
<p>Por sorte e muita dedicação daqueles que arranhavam o idioma local, conseguimos todas as dezenas de vezes convencê-lo de que a bagunça não voltaria a se repetir. Em vão, já que o barulho do taco batendo na porta e a silhueta do <em>hooligan</em> no vidro nos apavorava quase que todas as noites.</p>
<p>Com os dias, conseguimos nos controlar. Mas o problema chegava toda nova segunda-feira. E ele chegava multiplicado por 3 ou 5. Eram nossos novos flatmates. E como conter toda aquela histeria inicial da vida em Londres? Era difícil.</p>
<p>Foi no fim de uma noite regada a <em>pint</em> que eu me encontrei sentado na mesa da cozinha/sala/área de serviço pensando: <em>estou indo embora deste apartamento e nossos novos moradores desavisados vão ter que enfrentar nosso gentil vizinho. Como evitar isso?</em></p>
<p><em> </em> Então olhei para a mesa e encontrei muitos e muitos folhetos, jornais e revistas que pegavamos na rua. Ótimo, já tinha toda a materia-prima suficiente para fazer um aviso. Já o local de fixação ideal estava bem ali na minha frente: o mais frequentado da casa, a geladeira!</p>
<p>Pronto, material e mídia definidos. Bastou criar o anúncio, com a técnica &#8220;recorte e cole&#8221;, que resultou na foto aí de cima.</p>
<p>Alguns amigos dizem que até hoje a &#8220;obra&#8221; está lá na geladeira, dando boas-vindas aos brazucas exaltados que semanalmente chegam naquele apartamento, e que nos minutos seguintes têm o prazer de conhecer o vizinho do taco.</p>
<p>No fim, o que vale é a intenção, da arte!</p></blockquote>
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