Intervenções
Coletivo para a Arte, Cultura e Manifestos
Coletivo para a Arte, Cultura e Manifestos

Estamos a um ano da eleição presidencial, nem foram definidos os candidatos, mas eu já decidi meu voto: nulo. Não sou anarquista, nem faço disso um ideal de vida. Apenas, no dia da eleição, vou lá e voto nulo. Respeito quem escolhe um candidato e deposita sua confiança nele, só fico incomodado quando minha decisão não recebe o mesmo tratamento. Anular o voto se tornou sinônimo de ignorância, descaso: “você anulou o seu voto? (muito espanto) Que alienação…”.
Há outra frase feita que, quando ouço, me dá vontade de cometer suicídio com a escova de dente. É a famosa “se você votar nulo, não pode reclamar depois”. Putaquepariu, não é o voto que me garante o direito de reclamar ou não, mas sim a infinidade de taxas e impostos que pago compulsoriamente, e pior, sem saber onde eles são aplicados.
Entendo que a origem desse preconceito está enraizada na nossa cultura por motivos (políticos) óbvios. Só não aceito que a imagem negativa da abstenção continue sendo alimentada por pseudo-intelectuais que bradam orgulhosos a importância da democracia, para logo em seguida ferir todos os seus preceitos, rotulando quem vota nulo como alienado social. Eu não anulo meu voto porque desconheço a importância dos processos políticos, faço isso porque não quero eleger categoricamente ninguém. Pra mim, votar é tão importante que representa, antes de tudo, uma questão de confiança.
Aí você me pergunta: o que o velho mago tem a ver com isso? Pois bem, a relação é bem clara, o voto nulo é hoje o Paulo Coelho de qualquer eleição. Você já notou que esse autor continua vendendo livros pelos cotovelos, mas misteriosamente ninguém o lê? Você encontra pessoas lendo Paulo Coelho nas poltronas macias de livrarias-café ou lojas cool? Não. Exatamente porque quem o lê tem vergonha, faz isso escondido. Graças àqueles mesmos pseudo-intelectuais politizados que, no caso da literatura, definiram quais autores devem ou não ser lidos. Só que você tem todo o direito de ler o livro que quiser, não votar em quem quiser e jamais ser rotulado por essas escolhas.
Alienação é ter vergonha do voto ou escolher qualquer candidato só porque disseram que anular não é inteligente. Ceder a essa pressão exercida pela intelectualidade superficial, é jogar mais do que o voto no lixo. Portanto, eu voto nulo. E agora me deem licença, mas preciso terminar de ler As Valquírias.
1 de dezembro de 2009 - 20:43
Espero não ouvir uma reclamação se quer, ok?
Ass.: Pseudo-intelectual
1 de dezembro de 2009 - 22:02
Então… eu me enquadro no tipinho pseudo intelectual.
Eu acho mais honesto errar tentando acertar do que me abster da tentativa. Fatidicamente, não votar muda o mundo tão pouco quanto escolher o candidato menos pior.
Mas o Brasil é um país novo, onde infelizmente a troca de gerações nas camadas altas da sociedade ainda não aconteceu.
Temos donos de empresas cretinos, reitores cretinos, juízes cretinos, majores cretinos, editores chefes de jornais de grande circulação cretinos e uma infinidade de cargos que deveriam ser ocupados por pessoas lúcidas ocupados por alienados, enlouquecidos pelo próprio poder e alheios a realidade do resto do mundo.
Em sua maioria pegaram o brasil qnd ainda éramos uma ditadura, e aprenderam a lidar com o poder de forma coronelista, e assim será até que cada um deles definhe ateh a morte.
Quem sabe com uma democracia mais madura, onde tags no twitter passem a ser aplicadas na vida real, e as revoluções realmente sejam praticadas tenhamos um mundo melhor.
Não critico quem não vota, assim como não critico quem lê Paulo Coelho. Só não me conformo com quem acha que não votar é revolução, e quem acha que Paulo Coelho é um “guru” de seja lá o que for. Votar ou não pra mim infelizmente não muda nada.
2 de dezembro de 2009 - 21:08
Vão me tacar pedras se eu disser que não tô nem aí para as eleições e, muito menos, para o Paulo Coelho? A vida continua seguindo seu curso, comigo votando ou não, lendo ou não Paulo Coelho. Aliás, enquanto estou aqui, Paulinho está lá, na sua luxuosa casa e viajando pela Europa nos castelinhos de Caras. O mesmo digo dos políticos que não sentirão a menor falta do meu voto e de outras 2573920 pessoas. É tudo falcatrua mesmo. Agora que o Eneias morreu, já não faz mais diferença.
3 de dezembro de 2009 - 11:08
“O problema não é a falta de memória do eleitor é a indiferença”, concordo com o colunista da FSP Marcio Coelho que ontem escreveu um artigo falando sobre mentiras, políticas e uma série de TV americana. Havia um link para tanto.
“Cada cultura inventa seus modos de disfarce mas o animal humano está presente em todas elas, por uma fração de segundo que seja, pronto a dar o bote”.
Caso mais que atual é pela segunda vez o senador José Roberto Arruda negando suas falcatruas a primeiria, a participação no caso dos votos eletrônicos e agora fingindo no caso do mensalão 2 no DF, onde tem a cara de pau em dizer que ia comprar panetones para os probres.
A corrupção aberta dói na alma da gente e isso se transforma em indiferença, claro.
Porém eu não consigo me sentir indiferente e achei ótimo os manifestantes terem invadido o congresso ontem. Só que eles atrapalharam o impeachment que estava a caminho.
Resumindo o que vale é a forma de como vamos mudar isso e não ignorá-lo.
Eu pelo menos não quero que a minha filha viva num país que nos desrespeita e nos assalta a todo momento!
3 de dezembro de 2009 - 20:26
Una de las mayores ilusiones de Coelho ahora es retirarse tres meses en un monasterio (“con Internet, eso sí”) o volar en un avión supersónico (“los ejércitos del aire canadiense y español ya me han ofrecido esa posibilidad”). De nuevo, el Coelho dicotómico. “Soy contradictorio, pero eso debería ser inherente al ser humano; sin confrontación no hay evolución; la clave en esta vida es desear algo mucho, pero cuidado porque el universo es amoral; funciona contigo o con tu deserción”.
Entrevista para jornal El País.
Eu continuo votando… não me atrai mais Paulo Coelho como leitura, já li muito, estou na onda de James Joyce, mas escuto Raul sempre.
e acredito no cambio de consciência…
4 de dezembro de 2009 - 18:43
Anarquia!!! (rs) Bom, fora as brincadeiras… que no fundo têm sempre um pouco de verdade… eu não vou defender aqui minha posição, pois quem me conhece já sabe, e quem não conhece vai continuar sem conhecer, pelo menos agora que não tenho tempo de escrever muito (afinal daria um tratado), mas um dia numa mesa de bar, quem sabe, a gente conversa.
Só não se esqueçam e não se enganem: toda posição é uma posição política, mesmo que seja votar nulo. EU VOTO NULO… e acredito na mudança (nunca no menos pior).
Só uma prévia: imaginem os eleitores na frente dos colégios onde votam, com seus títulos na mão, se negando a votar (já que ninguem vale o voto)…?!?! Todos com seus braços para o alto, tomando as ruas, mostrando o quanto seus títulos são importantes para a mudança do País. Ninguem entra… ninguem vota! Que lindo! Qual seria o resultado? Quem sabe? Mas que seria uma bela revolução, seria…