Intervenções
Coletivo para a Arte, Cultura e Manifestos
Coletivo para a Arte, Cultura e Manifestos

O debate “A Cultura salva São Paulo” que aconteceu no dia 21/01/2010, reuniu nomes importantes como Marcelo Tas, o urbanista Jorge Wilheim, o produtor cultural Alexandre Youssef (Studio SP), Baixo Ribeiro, criador da galeria Choque Cultural, Carlos Augusto Calil, Secretário Municipal de Cultura de São Paulo e o dramaturgo Ivam Cabral e Gilberto Dimenstein.
O evento está relacionado a exposição “De fora para dentro, de dentro para fora”, de curadoria de Baixo Ribeiro. O debate não foi só interessante pelos convidados, mas também pelo aproveitamento dos espaços que o MASP oferece para esse tipo de conversa e que são tão pouco explorados.
No debate tivemos comparações dos movimentos culturais que são feitos aqui em São Paulo com os que são feitos pela Europa, como a Virada Cultural que foi inspirada em um movimento parecido da França. A mesma comparação foi levantada por causa da Arte Urbana, tão valorizada em Londres e tão vandalizada em São Paulo (lembraram no mural da 23 de Maio, de autoria dos Gemeos que foi apagado pela prefeitura de um dia para o outro).
Outro ponto levantado por Ale Youssef e Marcelo Tas foi a transição dos “centros de São Paulo” a favor das grandes industrias imobiliarias: a Paulista virou o centro de São Paulo pelas construções e alta valorização dos imoveis, enquanto nos centros temos áreas esquecidas porque não são interessantes para os empresários. A solução para isso? Incentivar a cultura em pontos da cidade que são esquecidos, fazendo a revitalização vir dos próprios moradores e frequentadores, como aconteceu com a Augusta e hoje acontece com a Praça Roosevelt.
Ao final do debate, Ivam Cabral convidou a todos para um passeio no centro, mesmo a noite, dizendo que o triste assalto seguido de tentativa de morte sofrido por Bortolotto no ínicio de Dezembro de 2009, é um fato que poderia ter acontecido em qualquer lugar de São Paulo e não só na praça Roosevelt.
Não é de hoje que sabemos que a prefeitura precisa criar mais espaços públicos para manifestações artisticas, além de investir em transporte e segurança em áreas que sofreram uma revitalização recentemente e que são bem frequentadas pelos paulistanos, e essa foi a “conclusão” do debate. E ai, o que você acha? A cultura pode salvar São Paulo?




26 de janeiro de 2010 - 14:31
Um dos efeitos da valorização imobiliária, em qq bairro, é óbvio: as famílias pobres que vivem no centro hoje, com a acesso a serviços públicos raros na periferia, teriam que se mudar para a periferia.
Não considerar este fator na ocupação do centro é manter a justiça histórica de SP, que dedica ao pobres os espaços mais distantes e com menor estrutura de serviços (saneamento, transportes etc.)
Conheço bem a região da Augusta, muitos travestis já deixaram a Frei Caneca, desde sua valorização “gay”. Na Augusta, ao lado do bar Inferno, um casarão onde moravam um senhor com sua sobrinha deficiente mental foi demolido e virou estacionamento de balada.
É dessa valorização de que falam os debatedores? Os bares e o interesse das incorporadoras imobiliárias está onde estiver o dinheiro, ou seja, a classe média.
Se ontem era a vila madelena e hoje é a Augusta, amanhã será outro bairro. A ocupação real é com cultura, sim, mas sem a expulsão dos mais carentes.
Mais:
http://panoptico.wordpress.com/2009/11/18/cidade-das-artes/
Abraço!
27 de janeiro de 2010 - 14:49
Também estive lá. Acredito que ajuda mas não salva, há muitos fatores né. Mas enfim quanto mais a gente conseguir estar inserido e inserir as pessoas de todas as esferas melhor. Não dá pra olhar só nosso próprio umbigo mesmo! Acho que é essa a mensagem que ficou pra mim.