Começo perguntando: Quem comemora o “Dia Nacional do Graffiti”?

Como muitos já sabem, o “Dia Nacional do Graffiti” surgiu em 27 de março de 1987 em homenagem a data de falecimento do artista Alex Vallauri, um dos precursores do graffiti, transpondo o “cambio” da caligrafia pela imagem feita com stencil aqui no Brasil. Alex Vallauri fazia parte de uma determinada geração de artistas plásticos que saíam do estúdio para as ruas, um caminho inverso se comparado à maioria dos escritores de graffiti.

A cada ano o “Dia Nacional do Graffiti” fica mais consolidado na mídia, tanto é que faz parte do calendário oficial da cidade de São Paulo (Lei 13903/2004). Paradoxalmente eu não consigo ver uma grande relação entre essa data comemorativa e os tantos escritores de graffiti que conheço. Há os que não aguardam a data, os que nem se lembram dela e muitos outros que a questionam.

Talvez a morte de Vallauri tenha sido marcante para quem conviveu com ele, por outro lado, conheço muito mais gente que se mobiliza para pintar em eventos que homenageiam o também graffiteiro Niggaz falecido em 2003, do que propriamente em eventos do “Dia Nacional do Graffiti”.

Essa falta de relação com data comemorativa não está ligado à desinformação, pois a história que envolve o “Dia Nacional do Graffiti” é conhecida e amplamente divulgada. Vejo as novas gerações conscientes, mas mesmo assim, distantes.

Há diversos fatores que podem contribuir para esse distanciamento como, por exemplo, conflitos de gerações, estética, origem, postura, etc. Não ouso apontar categoricamente uma razão ou um conjunto delas, mas posso afirmar que há muitas pessoas que pintam na rua e que não se vêem como artistas, talvez por que não sejam mesmo, pois são escritores de graffiti antes de tudo, e que ao olharem um movimento reconhecido como “street art”, não se sentem representados.

Será que é por isso que já ouvi tantos falarem que “dia do graffiti é todo dia”?O fato é que se fosse uma data marcante e relevante para todos que pintam na rua, anualmente veríamos uma ação muito maior em nome do graffiti.

E então, quem comemora o “Dia Nacional do Graffiti”? Eu responderia com outra pergunta: O que é graffiti?

As perguntas se foram, ficam agora as novas perguntas feitas pelas reflexões… É importante deixarmos de afirmar para começarmos a questionar mais. Questionar o que somos, o que fazemos e para onde vamos.

OITODOIS, como Insurgente82

Faço parte da Banca Êxito Urbano

* Este post foi um espaço aberto para um dos nossos leitores que ganhou o concurso “Seu post no Intervenções“, e como em todos os casos, não necessariamente reflete a opinião do coletivo.

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