Touro da madrugada

Touros acordaram nesta manhã de segunda-feira montados em duas vacas da CowParade. A intervenção não autorizada durou pouco. Logo pela manhã os touros foram retirados pelos organizadores, que asseguraram que as vacas não foram danificadas.

A ação é do artista plástico Eduardo Srur, que apesar de ter realizado esta ação não autorizada, é autor de outras ações em parceria com prefeitura e com patrocínio de empresas. “O touro vem para fazer uma inseminação cultural brasileira, gerar uma discussão”, segundo o artista.

fonte: Folha

A origem do Dia das Mulheres

Ao invés de fazer um post simpático homenageando as Mulheres pelo seu dia, nós fomos atrás da origem desta comemoração. E nada é mais importante do que suas conquistas e história.

A ideia da existência de um dia internacional da Mulher foi proposta na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina em massa, na indústria.

As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. As operárias em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos contra as más condições de trabalho e os baixos salários, em 8 de Março de 1857, em Nova Iorque.

Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhague, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada.

Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março daquele ano, a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram numa Revolução.

Lenin então decidiu torná-lo num dia oficial que, durante o período soviético, permaneceu numa celebração da “heróica mulher trabalhadora”.

No entanto, o feriado rapidamente perderia a vertente política e tornar-se-ia numa ocasião em que os homens manifestavam a simpatia ou amor pelas mulheres;  uma mistura das festas ocidentais do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, com ofertas de prendas e flores dos homens às mulheres.

No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920, perdendo força na sequência, sendo revitalizado pelo movimento feminista da década de 1960. E em 1975 foi designado como o Ano Internacional da Mulher.

Foto: Cartaz soviético de 1932. Em vermelho, lê-se: “8 de março é o dia da rebelião das mulheres trabalhadoras contra a escravidão da cozinha.” Em cinza: “Diga NÃO à opressão e ao conformismo do trabalho doméstico!” Fonte: Wikipedia

Noviembre


Noviembre foi lançado em 2003, mas a cópia só chegou até mim pelo Victor da Rosa semana retrasada e desde então eu sinto que perdi muito tempo por não ter assistido antes. O filme mistura depoimentos do grupo de teatro espanhol Noviembre e recriações de cenas do surgimento do grupo, a criação das regras do manifesto (entre as elas: para ser aceito no grupo, o ator não poderia ter feito nenhum trabalho na televisão) e suas manifestações nas ruas, caracterizadas como Teatro Documentário. As intervenções do grupo deveriam ser feitas nas ruas para que não existisse cobrança de ingressos, fato que seria  praticamente impossivel de acontecer em um teatro. As peças, sempre muito criticas, exploravam temas como consumo, relação entre os moradores da cidade, preconceito e até terrorismo.

Falamos tanto sobre o potencial de transformação das imagens gráficas que as vezes esquecemos de falar sobre a imagem de carne e osso que um ator pode representar, mudar nossa rotina e nos fazer pensar sobre como nos relacionamos com as pessoas que estão ao nosso lado durante o trajeto para o trabalho/casa. Não vou contar o final, é claro, mas vou confessar que me emocionei bastante.

“Me encantaria cambiar este puto mundo!”


Imagem de Amostra do You Tube


Imagem de Amostra do You Tube

Manifestação contra proibição de eventos na Praça da Estação

A manifestação “Praia na Estação”, foi feita na segunda semana de Janeiro contra o decreto do prefeito Márcio Lacerda que proíbe a realização de eventos de qualquer natureza na Praça da Estação, uma praça pública localizada no centro da cidade de Belo Horizonte e “revitalizada” recentemente justamente para abrigar grandes eventos. O prefeito alega “depredação” e “falta de segurança” causadas pela realização de grandes eventos na praça patrocinados por empresas. Moradores do local reclamam dos altos decibeis desses eventos. O decreto proibiu todos os tipos de eventos e ainda veio de forma unilateral sem qualquer debate público.

Depoimento de  Júnia Bessa sobre a manifestação:

“A manifestação foi convocada pela internet e teve um carater espontâneo. Veio gente de sunga, biquiní, canga… Cheguei 10:00, perto do horário combinado pela internet. Estava muito quente. A fonte da praça ligava às 11:00, mas é claro que naquele dia eles desligaram a fonte. Rolou um chapéu para chamar um caminhão pipa, que veio mesmo, mas não esperei até ele chegar… Tiveram alguns refrões de passeata: “Água! Queremos água”,  ou então “Ei, polícia, a praia é uma delícia” e ainda “Lacerda (nome do prefeito) liga essa m…” Os policiais acompanharam tudo, todo o tempo. Enquanto isso, a galera foi se banhar na fonte da praça ao lado, mas logo vieram os policiais intimidando, dizendo que era “proibido pisar na grama” e outras coisas que não ouvi direito. Fiquei até 1 da tarde, quando houve um debate sobre o decreto. Algumas pessoas falaram, já houveram outras manifestações (todos de branco na praça à noite) e a proposta do movimento é continuar ocupando o local em outras datas e horários.”

Mais links sobre a manifestação:

O globo
Vermelho
Mais fotos

Obrigada a Victor da Rosa pela dica e material sobre a manifestação :)

Mentalgassi. Uma colagem descolada.

001Mentalgassi é um coletivo de Berlim que faz arte nas ruas se utilizando de colagens em objetos urbanos. São stickers gigantes colados em módulos formando faces. Aqui estão algumas das intervenções feitas em abóbadas gigantes e máquinas de validação de bilhetes.

002O coletivo conta com três integrantes que se conheceram fazendo Grafite, mas agora optaram por “algo mais sutíl”.

003

Os posters acima, foram feitos a partir de 3 fotos que podem ser visualizadas isoladas em seus respectivos ângulos.
Imagem de Amostra do You Tube No vídeo você acompanha o passo-a-passo dessa ação.

Paulo Coelho e o voto nulo

Estamos a um ano da eleição presidencial, nem foram definidos os candidatos, mas eu já decidi meu voto: nulo. Não sou anarquista, nem faço disso um ideal de vida. Apenas, no dia da eleição, vou lá e voto nulo. Respeito quem escolhe um candidato e deposita sua confiança nele, só fico incomodado quando minha decisão não recebe o mesmo tratamento. Anular o voto se tornou sinônimo de ignorância, descaso: “você anulou o seu voto? (muito espanto) Que alienação…”.

Há outra frase feita que, quando ouço, me dá vontade de cometer suicídio com a escova de dente. É a famosa “se você votar nulo, não pode reclamar depois”. Putaquepariu, não é o voto que me garante o direito de reclamar ou não, mas sim a infinidade de taxas e impostos que pago compulsoriamente, e pior, sem saber onde eles são aplicados.

Entendo que a origem desse preconceito está enraizada na nossa cultura por motivos (políticos) óbvios. Só não aceito que a imagem negativa da abstenção continue sendo alimentada por pseudo-intelectuais que bradam orgulhosos a importância da democracia, para logo em seguida ferir todos os seus preceitos, rotulando quem vota nulo como alienado social. Eu não anulo meu voto porque desconheço a importância dos processos políticos, faço isso porque não quero eleger categoricamente ninguém. Pra mim, votar é tão importante que representa, antes de tudo, uma questão de confiança.

Aí você me pergunta: o que o velho mago tem a ver com isso? Pois bem, a relação é bem clara, o voto nulo é hoje o Paulo Coelho de qualquer eleição. Você já notou que esse autor continua vendendo livros pelos cotovelos, mas misteriosamente ninguém o lê? Você encontra pessoas lendo Paulo Coelho nas poltronas macias de livrarias-café ou lojas cool? Não. Exatamente porque quem o lê tem vergonha, faz isso escondido. Graças àqueles mesmos pseudo-intelectuais politizados que, no caso da literatura, definiram quais autores devem ou não ser lidos. Só que você tem todo o direito de ler o livro que quiser, não votar em quem quiser e jamais ser rotulado por essas escolhas.

Alienação é ter vergonha do voto ou escolher qualquer candidato só porque disseram que anular não é inteligente. Ceder a essa pressão exercida pela intelectualidade superficial, é jogar mais do que o voto no lixo. Portanto, eu voto nulo. E agora me deem licença, mas preciso terminar de ler As Valquírias.

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