Intervenções
Coletivo para a Arte, Cultura e Manifestos
Coletivo para a Arte, Cultura e Manifestos
abr 13th
Juan Felipe Rubio é um fotógrafo colombiano autor de um projeto muito bacana com uma técnica de colagem de imagens, baseado no trabalho de David Hockney.
O artista conta que há alguns anos tinha a vontade desenvolver o trabalho, mas ainda não tinha as ferramentas necessárias e o formato exato do trabalho.
Então, depois de comprar uma Polaroid SX-70 e um montão de filmes, em um casamento de um amigo surgiu a idéia de fazer uma colagem de imagens e aí se deu o tema.
O “Escenas de amor entre parejas anónimas” leva esse nome exatamente para que as imagens não sejam reconhecíveis e que, quando vistas, enxergue-se amor e não pessoas.
Dica @keilaakemi
mar 8th

Ao invés de fazer um post simpático homenageando as Mulheres pelo seu dia, nós fomos atrás da origem desta comemoração. E nada é mais importante do que suas conquistas e história.
A ideia da existência de um dia internacional da Mulher foi proposta na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina em massa, na indústria.
As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. As operárias em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos contra as más condições de trabalho e os baixos salários, em 8 de Março de 1857, em Nova Iorque.
Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhague, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada.
Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março daquele ano, a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram numa Revolução.
Lenin então decidiu torná-lo num dia oficial que, durante o período soviético, permaneceu numa celebração da “heróica mulher trabalhadora”.
No entanto, o feriado rapidamente perderia a vertente política e tornar-se-ia numa ocasião em que os homens manifestavam a simpatia ou amor pelas mulheres; uma mistura das festas ocidentais do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, com ofertas de prendas e flores dos homens às mulheres.
No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920, perdendo força na sequência, sendo revitalizado pelo movimento feminista da década de 1960. E em 1975 foi designado como o Ano Internacional da Mulher.
Foto: Cartaz soviético de 1932. Em vermelho, lê-se: “8 de março é o dia da rebelião das mulheres trabalhadoras contra a escravidão da cozinha.” Em cinza: “Diga NÃO à opressão e ao conformismo do trabalho doméstico!” Fonte: Wikipedia
mar 2nd

Em 2008, decidi mudar tudo e fui morar fora do Brasil. Londres foi meu primeiro destino. Chegando lá, morei num conjunto de prédios populares que a Rainha construiu para os menos favorecidos (algo próximo ao Cingapura que o Maluf fez em SP, mas bem mais seguro e organizado).
Estava sentindo o aperto de 8 brasileiros num apto minúsculo, mas vivendo a alegria e a realização de quem havia cruzado a imigração inglesa e começava a realizar um sonho. Mas tudo isso junto é igual a muito barulho, e num lugar como aquele condomínio no bairro de Bermondsey, poderia significar encrenca, e no nosso caso, das pesadas. Bem abaixo do nosso apartamento morava um inglês hooligan, daqueles com cicatrizes na cara e tatoo de cadeia pelo corpo.
É, com ele não havia “política da boa vizinhança”. Era taco de baseball na mão e uma fúria avassaladora contra os brasileiros – com razão até, porque nosso apartamento era da agência de viagem, ou seja, havia anos que chegavam todas as semanas uma trupe de estudantes bagunceiros.
Por sorte e muita dedicação daqueles que arranhavam o idioma local, conseguimos todas as dezenas de vezes convencê-lo de que a bagunça não voltaria a se repetir. Em vão, já que o barulho do taco batendo na porta e a silhueta do hooligan no vidro nos apavorava quase que todas as noites.
Com os dias, conseguimos nos controlar. Mas o problema chegava toda nova segunda-feira. E ele chegava multiplicado por 3 ou 5. Eram nossos novos flatmates. E como conter toda aquela histeria inicial da vida em Londres? Era difícil.
Foi no fim de uma noite regada a pint que eu me encontrei sentado na mesa da cozinha/sala/área de serviço pensando: estou indo embora deste apartamento e nossos novos moradores desavisados vão ter que enfrentar nosso gentil vizinho. Como evitar isso?
Então olhei para a mesa e encontrei muitos e muitos folhetos, jornais e revistas que pegavamos na rua. Ótimo, já tinha toda a materia-prima suficiente para fazer um aviso. Já o local de fixação ideal estava bem ali na minha frente: o mais frequentado da casa, a geladeira!
Pronto, material e mídia definidos. Bastou criar o anúncio, com a técnica “recorte e cole”, que resultou na foto aí de cima.
Alguns amigos dizem que até hoje a “obra” está lá na geladeira, dando boas-vindas aos brazucas exaltados que semanalmente chegam naquele apartamento, e que nos minutos seguintes têm o prazer de conhecer o vizinho do taco.
No fim, o que vale é a intenção, da arte!