Covinhas, quando crença popular vira arte

Cópia-de-CARTAZA fé está intimamente ligada ao cotidiano do brasileiro. Até quem não tem religião definida ou desacredita na existência de um deus, sente que precisa ter fé para seguir em frente. Há séculos sustentamos essa forte religiosidade, que, no Nordeste, ganha mais importância com as lendas que passam de pai pra filho.

Assim como em muitas cidades do sertão nordestino, Rodolfo Fernandes, localizada no interior do Rio Grande do Norte, guarda sua história de fé, sob a qual foi construída e até hoje se mantém.

Reza a lenda que na Grande Seca de 1877, duas meninas morreram de fome e sede no local. Cercada de fenômenos inexplicáveis, a história atravessa gerações, favorecida pelo surgimento de milagres, como o que salvou a vida do senhor Bento Honório e de tantos outros habitantes.

Isso tudo é abordado no documentário “Covinhas, uma história de fé”, dirigido por Catarina Doolan e Julio Castro, alunos de Jornalismo da UFRN. O curta esclarece todo o mistério das “meninas santas” sob o relato de Bento, personagem central do filme e responsável pela popularização da fé na cidade.

Um belo registro cinematográfico da cultura brasileira, com uma trilha e fotografia emocionantes. Confira:

http://www.vimeo.com/8978135

Paradigmas

http://www.vimeo.com/7773520

“É muito louco pq lá fora já tem um reconhecimento da arte urbana pra dentro de um museu de uma instituicao só que ao mesmo tempo a arte urbana é total discriminada, o único lugar no mundo que vc pinta com uma “certa tranqüilidade” é o Brasil.

Em Paris e em Londres onde eu pintei foi sempre uma coisa muito escondida de madrugada, super vigiado, câmeras em todos os lugares mas é esse espírito mesmo do proibido.

E essa coisa de contaminar a cidade com a arte despertou o interesse pra essa arte mais institucional, do museu, ao ponto de dizer “meu não dá mais pra fugir disso é uma realidade.”

A rua é tudo mas eu sentia uma necessidade de partir pra outro desafio sabe, que é transformar o lugar, viver da própria arte, satisfação maior que essa não tem.” Diz Zezão.

Zezão fala que o Brasil é um país que vai sempre na contramão. A demora de artistas como ele, OSGêmeos” e outros, de estarem só agora em instituições e poderem assim viver da arte é real hoje mas foi lento todo esse processo.

Ao contrário dos artistas estrangeiros que são reconhecidos pela arte em galerias e podem viver disso mas que não podem pintar nas ruas tão “livrementes” como fazem os brasileiros. É um paradigma.

Fora todo o contexto mainstream que a própria arte urbana e contemporânea as vezes se submete também na indútstria de mkt e publicidade.

Eu estou produzindo um documentário com os artistas da Exposição De dentro pra fora / De fora pra dentro – Masp, que vai desvendar tudo isso. Esse é um tira gosto exclusivo para os leitores do Intervenções! Enjoy it!

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