Entrevista realizada pela Ponto Eletrônico, “news” alimentada pela empresa Box1824. Republicamos parte deste material aqui, para nossos leitores, por se tratar de uma artista de grande relevância. A entrevista completa você lê diretamente na fonte.

Formada em Jornalismo pela PUCRS, Raquel Brust é uma artista multimídia que trabalha com foto, vídeo e instalações. Um bom exemplo disso é Giganto, um projeto de intervenções urbanas com fotografias hiperdimensionadas. Expostos pelas ruas do país, elas rompem padrões de comportamento pré-estabelecidos, tanto com a arte, como com o meio urbano e até entre as próprias pessoas.
Como e por qual motivo tu escolheu a fotografia? Tu acredita que a opção pelo uso de linguagens artísticas que não são “naturais da rua” (como no caso de Giganto, com fotografias hiperdimensionadas), o deslocamento gerado por elas nesse ambiente, exacerba a capacidade que a arte tem de nos tirar da realidade cotidiana, criar reflexões?
Todo mundo gosta de se deslocar para o fantástico mundo das imagens. Escolhi fotografia porque gostava de aprisionar a memória. Gosto de recortar os momentos, congelar as emoções para vivenciá-las novamente mais tarde. Gosto de lidar com o tempo e com a imaginação, sempre gostei da magia do reflexo. A câmera fotográfica é um jogo do espelhos, quando você fotografa o que você sente, você acaba vendo sua própria alma refletida nas imagens.
Escolhi a fotografia, ou ela me escolheu na adolescência. Durante o curso de Jornalismo na PUCRS, desenvolvi e aperfeiçoei a linguagem. Neste período acompanhei o movimento crescente da street art em Porto Alegre, e esse foi o tema da minha primeira exposição intitulada “Olho do Muro”, que posteriormente foi exibido na coletiva Transfer (nós do Coletivo Intervenções fizemos a cobertura exclusiva do evento). Levei a textura dos muros pra a galeria, agora levo as fotografia para os muros. Como já disse, não vejo fronteira entre rua e galeria e prefiro dinamizar esse fluxo, isso só alimenta meu trabalho.
O Giganto altera a paisagem e isso já é uma ruptura do cotidiano. A imagem fotográfica funciona muito bem porque gera imediatamente reflexões bem subjetivas de identificação. Quando o expectador vê um rosto, ele remete aquela imagem a si mesmo, ou a alguém que conhece, como um avô, uma tia, um vizinho. É muito atraente também ver sua própria imagem ampliada, digo isso pois nos vemos como humanos, e aquele ser gigante representa a todos. O projeto é sobre valorização do indivíduo, é uma experiência fotográfica de deslocamento da imagem, de buscar outra dimensão; é meta do projeto entender como essa imagem será interpretada. Ativa também um outro censo de responsabilidade diante da cidade, onde nós humanos constituímos o concreto, somos parte ativa do caos.

Acaba rolando uma espécie de vínculo com as histórias e as próprias pessoas que tu fotografa?
Fotografo porque quero criar vínculos com a memória. Na minha busca pelo saber, encontro nas pessoas doses de sabedoria. Fotografo o rosto delas porque é a estampa de toda uma vida. Elas me comovem cada uma a sua maneira, e a cada Giganto novos laços são formados.
Eu tenho que procurar meus retratados, ficar atenta a algo que me desperte, que mostre um pouco de alma, um vinco, um olhar, um gesto, um brilho. Aproximar-se e fotografar uma pessoa, já é um ato bem íntimo que exige troca mútua; transformá-la em Giganto pode ser uma marca transformadora em sua vida. Existe muita emoção no encontro da pessoa com sua própria imagem e isso é inesquecível.
O próprio Giganto também cria vínculos com a comunidade e local que convive. As pessoas ficam bem apegadas a imagem e se tornam guardiões do painel. Acho que isso acontece porque sentem a energia de todos que estão envolvido no projeto, sentem que cada etapa é realizada com dedicação e empenho.

“Acredito que encontrei uma maneira de estreitar laços entre arte, público e cotidiano. Mas esse é só um exemplo, nas instalações isso é recorrente; a maioria depende do ambiente e da reação do espectador para realmente acontecer, não são obras passivas, são ativas, são vivas, dependem do que você vai fazer com elas.”
Leia a entrevista original e completa no site da Ponto Eletrônico.
Conheça mais sobre o trabalho de Raquel Brust no Flickr e sobre o projeto Giganto no Facebook.
Todas as imagens são de reprodução e de direitos da artista. O conteúdo do post é de direito de Mari Messias, da Ponto Eletrônico.


