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Quando, ontem, saí da peça Hipóteses Para o Amor e a Verdade não sabia o que estava sentindo. Eu odeio ter a obrigação de exprimir uma opinião depois de ver alguma coisa. Geralmente gosto de ir pra casa, pensar no assunto ou discutir com outras pessoas para que as impressões se arredondem e as confusões, que eu talvez tenha feito em minha leitura, se desembaralhem. Eu sei que eu não fiquei bem depois de Hipóteses. Mas precisei de uma madrugada pra entender o porquê. Uma manhã também.
É a consciência de que as coisas não acontecem do jeito que gostaríamos. Porque se essa consciência não existisse eu ia sair meio chocada, tendo a certeza de que aquele texto não é pra mim, jurando que nunca mais voltaria a ver nada do gênero. Eu seria mais feliz? (?) Como se tentasse tapar o que angustia. Não é o caminho que prefiro.
É difícil se preparar quando a vida te pega de surpresa. E ela sempre pega. Aquelas ações ensaiadas na frente do espelho nunca se repetem no cara a cara. Talvez por isso eu prefira escrever a viver. É quando posso calcular tudo e talvez me dê bem em algum diálogo. Consiga ser racional mesmo fermentada de todo o sentimento que circula em mim. Porque a vida não é esse conto de fadas que me obrigaram a acreditar um dia pra ser uma garota boazinha, educada e honesta. A vida é essa coisa sem saída. Um labirinto. Um romance que pouco importa como vai acabar. E ele vai. Independente de como for preenchido. Qual recheio você vai escolher?

Hipóteses Para o Amor e a Verdade
Texto: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez
Direção: Rodolfo García Vázquez
Assistente de direção: Fábio Penna
Elenco: Esther Antunes, Fábio Ock, Leo Moreira, Luiza Gottschalk, Marcelo Szykman, Paulinho Faria, Phedra De Córdoba, Tânia Granussi e Tiago Leal
Quando: Sexta, sábado e domingo, 21h30
Onde: Espaço dos Satyros Um – Praça Franklin Roosevelt, 214 – SP
Quanto: R$ 10

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