A internet é sem dúvida uma fonte inesgotável de curiosidades. E a que mais atraiu minha atenção nesse final de semana está num famoso site de leilões. Trata-se de um grupo de anúncios incomuns, que coloca à disposição de qualquer interessado peças que supostamente representam verdadeiras relíquias da cultura nacional.
Com lances que, até ontem (14 de março), estavam entre módicos 40 e 510 reais, você disputa a aquisição de obras do quilate de um Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral. Ou até um rascunho do Congresso Nacional feito pelo próprio Oscar Niemeyer. Marrento esse leilão, não?
Arrisco dizer que nunca foi tão fácil pendurar um raro exemplar da nossa arte na parede da sua sala de estar. Veja só a lista de preciosidades:
Tarsila Do Amaral, Paisagem, arte ponta de pena. Ano 1930.
Roberto Burle Marx, Composição Peixes, óleo sobre papel. Ano 1950.
Oscar Niemeyer, Rascunho Congresso, nanquim. Anos 1960.
Porém, o mais curioso é a sinceridade do agente ao final do anúncio: “não possui documentação, mas garanto pessoalmente com 99% de certeza a total autenticidade do item, exatamente por ter sido negociado junto a pessoas sérias. Itens são de origem familiar, ou procedentes de acervos/coleções particulares ou bazares”.
Pois é, o meu receio fica por conta desse 1% restante. Mas quem quiser arriscar e receber via Sedex uma obra de “primeira grandeza” da nossa história cultural, é só dar o lance.







2 comments
Paula Becker says:
mar 16, 2010
Voce está prestando um deserviço. Todas as “obras” oferecidas são FALSASe só um incauto cai nesta armadilha. O Mercado Livre já é famoso….
Rony Saqqara says:
mar 16, 2010
Olá, Paula. Tudo bem?
Permita-me discordar. Acredito até que você não tenha lido com atenção o meu post. Em nenhum momento eu legitimo as peças. Note que uso o termo “supostamente” quando me refiro às “relíquias” e, ao final, deixo bem clara minha opinião sobre o risco da aquisição. A própria existência do post funciona como um alerta àqueles com maior sensibilidade à interpretação de texto.
Entretanto, apesar da forte suspeita, não posso ser leviano e afirmar que são realmente falsas, pois não tenho prova nem autoridade para isso. Apesar de não ser um direito legal muito respeitado no Brasil, as pessoas ainda são inocentes até que se prove o contrário, portanto, duvidar da autenticidade é uma coisa, acusar alguém de falsário é outra muito mais séria.
Acho que ficou mais claro agora, ok?
Não fui tão explicito antes porque acredito que os outros leitores compreenderam a proposta do post, mas se mais alguém não tiver entendido, sua participação ajudou a esclarecer.
Visite-nos e participe sempre.
Abs